- Vi três meninos batendo figurinha na porta do colégio; vi um restaurante que chamava “Nosso Lar”, me perguntei se o dono seria espírita; vi muita gente com roupa de ginástica na porta de uma academia; vi dois caras falando de um jogo de futebol; vi um carro de auto escola com a instrutora explicando algo sobre rotatórias para o aluno; vi um cara fazendo baliza; vi um cruzamento que tinha todas as esquinas chanfradas, pensei nas aulas de urbanismo; vi uma cadela no cio deitada no meio da rua com cinco outros cachorros em volta dela, e os carros desviando de todos eles; vi uma casa amarela que tem uma arquitetura bonita, diferente; passei por uma casa que tinha dois cachorros velhos, um pequeno e um grande, que não estavam mais lá, me perguntei se eles haviam morrido; passei por uma outra casa que tinha um Pit Bull vira-lata que abanava o rabo pra mim, mas ele não estava lá; e passei por outra que tem um Poodle preto que sempre late muito, mas ele estava dormindo; passei por uma mãe com uma criança levando o cachorro pra passear, o tênis da menina piscava e eu me perguntei o que será que o cachorro achava daquilo; passei por uma meleca amarela no chão que parecia mostarda velha; passei por um ferro-velho que tem uma placa de “Cuidado com o cão”, mas nunca tem cachorro nenhum lá; passei por uma moça perguntando pra vizinha se o controle que ela tinha achado mais cedo no quebra-molas era dela – não era; passei por um muro escrito “vende-se” e dois números de celulares embaixo, um começava com 88 e o outro com 91... mas, sei lá! Não reparo muito nessas coisas!
It doesn't, and you can't, I won't, and it don't, it hasn't, it isn't, it even ain't, and it shouldn't, it couldn't.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Volta pra casa
- Vi três meninos batendo figurinha na porta do colégio; vi um restaurante que chamava “Nosso Lar”, me perguntei se o dono seria espírita; vi muita gente com roupa de ginástica na porta de uma academia; vi dois caras falando de um jogo de futebol; vi um carro de auto escola com a instrutora explicando algo sobre rotatórias para o aluno; vi um cara fazendo baliza; vi um cruzamento que tinha todas as esquinas chanfradas, pensei nas aulas de urbanismo; vi uma cadela no cio deitada no meio da rua com cinco outros cachorros em volta dela, e os carros desviando de todos eles; vi uma casa amarela que tem uma arquitetura bonita, diferente; passei por uma casa que tinha dois cachorros velhos, um pequeno e um grande, que não estavam mais lá, me perguntei se eles haviam morrido; passei por uma outra casa que tinha um Pit Bull vira-lata que abanava o rabo pra mim, mas ele não estava lá; e passei por outra que tem um Poodle preto que sempre late muito, mas ele estava dormindo; passei por uma mãe com uma criança levando o cachorro pra passear, o tênis da menina piscava e eu me perguntei o que será que o cachorro achava daquilo; passei por uma meleca amarela no chão que parecia mostarda velha; passei por um ferro-velho que tem uma placa de “Cuidado com o cão”, mas nunca tem cachorro nenhum lá; passei por uma moça perguntando pra vizinha se o controle que ela tinha achado mais cedo no quebra-molas era dela – não era; passei por um muro escrito “vende-se” e dois números de celulares embaixo, um começava com 88 e o outro com 91... mas, sei lá! Não reparo muito nessas coisas!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Orgulho Hétero
Mais pra frente, nos livros de história, haverão registros dos dois maiores marcos de preconceito no mundo: o dia da criação do partido Nazista e o dia em que foi inventado o Orgulho Hétero.
Ei você, hétero retardado e orgulhoso disso, qual é o seu problema? Sério, qual é o seu problema? Você acha que é doença? Você tem nojo? Tem algum homossexual encostando em você? Você está sofrendo assédio? Você acha que é errado? Acha que não é de Deus? Acha que é contagioso? Te afeta em algum segundo da sua vidinha medíocre?
O orgulho gay só existe porque eles precisam de um dia pra respirar com alívio, sem a pressão de vocês.
Eles precisam de um dia pra ver que existe alguém do lado deles.
Eles precisam de um dia pra poder segurar na mão do companheiro sem temer nada.
Eles precisam de um dia pra agir com naturalidade.
Eles precisam de um dia pra falar o que pensam.
Eles precisam de um dia pra desabafar.
Eles precisam de um dia pra beijar na boca.
Eles precisam desse dia porque pra muitos deles é só esse dia que eles tem.
Vocês não sabem o que é ser julgado por amar outra pessoa.
Vocês não imaginam como é crescer num ambiente que te convence de que você tem algo errado.
Já ouvi muita gente dizer que tem pena de quem é homossexual, por causa dos problemas que vai enfrentar na vida. Pra mim, já começou aí o problema, com esse tipo de sentimento. Já está pré determinado que é algo, no mínimo, diferente. Por quê? É tão natural, é tão simples.
Você não vê problema nenhum em explicar pro seu filho o mito de um homem pregado numa cruz, com espinhos na testa e escorrendo sangue, mas acha o cúmulo ter que explicar pra ele porque dois homens estão de mãos dadas.
Sinceramente, enfie esse orgulho aonde você tem mais medo que te aconteça alguma coisa.
Tenha é vergonha de falar em voz alta sobre como a sua vida é fácil.
Esse post é dedicado com todo o meu ódio para todo e qualquer hétero homofóbico do planeta.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
With love, from me, to you
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Up and Coming Tour.

domingo, 8 de maio de 2011
Alergias
Deu vontade de fazer um texto sobre um monte de coisas que passaram pela minha cabeça hoje.
Eu fiquei fuçando no blog, relendo comentários, e deu uma saudade daquela época que eu postava várias vezes no mesmo mês, porque parece que eu estava com muita coisa pra falar e queria falar. Então resolvi postar em homenagem a isso.
As pessoas que não tem alergias são muito mais felizes. Alergia é uma doença, é a pior coisa que você pode ter, transforma a sua vida, chega a moldar um pouco a sua vida. Ontem eu vi rapidamente uma cena na TV de uma criança pegando algo em cima de um armário, uma caixinha muito empoeirada, e dando aquela assoprada por cima e depois passando a mão pra ver bem como era a caixinha por fora, antes de abrir. Essa soprada me dá vontade de espirrar, me coça o olho. Eu acho incomum ver uma pessoa sem alergias, sem pelo menos uma rinitezinha, então essa cena me parece muito irresponsável pela parte da criança, ou dos pais que não estão vendo-a fazer isso. Mas na verdade é normal, porque ela não tem alergias. Eu invejo aquela criança. Invejo mesmo, porque eu sei que aquilo era uma cena, mas tinha uma criança atuando ali, uma criança que realmente soprou um monte de poeira perto do rosto e não sentiu nada, a cena continuou sem ela precisar de uma bombinha, ou um lenço, ou um colírio, ou um médico.
Eu sou uma pessoa muito alérgica.
Poeira pode me fazer espirrar, tossir, lacrimejar, causa conjuntivite alérgica, bronquite, rinite, faringite, e vários outros ites.
Certos tipos de pêlo também podem me causar todos esses ites aí de cima.
Algum componente da urina de certos animais me da coceira, deixa minha pele vermelha, e também pode causar os ites aí de cima.
Eu tenho dermatite atópica, ou seja, eu sou alérgica ao ambiente em volta de mim.
Coco me faz inchar, pode fechar a minha garganta se inchar muito, se eu encostar pode deixar minhas articulações rangentes e inchadas também, me deixa vermelha, me faz vomitar, enfim, causa os tipos de reação alérgica mais poderosos.
Camarão não me cai bem, nunca comi muito porque vai fazendo minha língua coçar.
Cheiro de gasolina me dá náusea. (Isso nem é uma alergia)
E acho que é só.
Então eu não sei bem o que é uma pessoa não se preocupar com nada disso, eu não como nada sem investigar primeiro, eu não entro em lugares que ficaram fechados por muito tempo, eu não visto roupa que estava guardada por meses no armário, eu não posso arrumar a cama sem uma janela aberta, eu nunca poderia participar de uma briga de travesseiros, eu não posso nem rir além da conta, porque me dá bronquite.
Enfim, eu ando com antialérgico na bolsa e bombinha pra bronquite e remédio pro nariz, mas não é que eu sou hipocondríaca nem nada, eu só sou alérgica.
Eu amo cachorros, não tenho alergia deles, mas eu não poderia ter um cachorro no meu apartamento, eu não poderia ter um cachorro que sobe na minha cama ou no meu sofá. Eles não me causam alergia, desde que eu não viva no mesmo ambiente que eles.
Essa é a parte mais triste.
P.S.: eu era tão encanada que antes de eu dar o meu primeiro beijo eu ficava muito preocupada achando que poderia acontecer da outra pessoa ter tomado água de coco ou algo assim antes, e me dar alergia durante o beijo. hahahaha
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Fuzarca
terça-feira, 15 de março de 2011
Ela
Eu a achava fria.
Sempre gostei muito dela, ela não tinha nada de diferente, eu só a achava fria. Porque ela não se apaixonava. Nós estávamos numa época que parecia ser muito fácil se apaixonar por algum menino. Assim como era muito fácil se decepcionar, ficar triste, quebrar a cara. E isso não acontecia com ela. Porque parecia que ela passava por cima disso tudo, parecia que ela não sentia nada muito profundo. Mas eu não a achava fria como amiga, nem como filha, nem como irmã. Ela até dizia que se apaixonava, como todas nós, mas eu não sentia isso nela.
Eu me acostumei. Nem pensava nisso mais quando ela veio dizer que tinha virado gay. E fiquei sem pensar nisso durante muito tempo.
Até que eu a vi apaixonada. Um dia ela veio até mim sofrendo porque o relacionamento com uma garota não tinha dado certo. Eu nunca tinha visto aquele olhar nela, eu nunca tinha percebido esse amor nela. Por mais que ela estivesse chorando e sofrendo, eu me senti um pouco feliz. Não por vê-la daquele jeito, não. Eu queria mais era abraçá-la pra ela poder chorar tudo que tava guardado. Mas eu estava feliz por saber que então ela não era fria, nunca foi. Ela só não tinha tido a oportunidade de sentir isso antes. E eu sei que quando dá errado o sofrimento é uma desgraça, parece infinito. Mas estar apaixonado é uma sensação que qualquer pessoa deveria sentir. Passar por isso é essencial. É lindo.
Eu fiquei feliz por presenciar um momento lindo e extremamente triste ao mesmo tempo.
E fico feliz dela ter vindo me procurar, e fico feliz de saber que ela confia em mim.
Pena estar longe agora, sinto uma saudade danada.