Eu odeio dirigir.
Eu gosto de ter carteira, de ter um carro disponível, gosto da prática e da independência que isso me proporciona. Mas eu odeio dirigir.
Eu odeio dirigir porque o trânsito faz transparecer todas as falhas e os podres da sociedade. Ou você acha que uma pessoa que acelera pra passar correndo no sinal vermelho é um bom cidadão? Você acha que o motoqueiro que fica olhando o semáforo alheio amarelar pra sair antes do dele esverdear pode ser uma pessoa que tem um mínimo de consciência social? Acha que são racionais aquelas pessoas que buzinam quando o trânsito está parado? Que tipo de atitude você espera de alguém que dirige embriagado?
Isso pode ir longe.
E se você acha que são apenas os motoristas que me irritam, se engana muito. Eu tenho vontade de gritar pela janela do carro quando os pedestres afunilam o caminho, pela pressa de atravessar. Um dia eu ainda vou denunciar aquela mãe que coloca o carrinho de bebê na frente dela pra atravessar a rua. E tudo isso fora da faixa de pedestre, óbvio. No Brasil o conceito de faixa de pedestre não pegou. Os motoristas não entendem e os pedestres muito menos.
Esse trânsito fica cuspindo na minha cara a sociedadezinha medíocre em que eu vivo. Ele mostra que não basta você fazer a sua parte, se tiver outra pessoa por perto fazendo errado o seu esforço é anulado. Quem está fazendo errado vai sempre conseguir o que quer. E, se não conseguir, os dois lados sofrem as consequências.
E isso não é o puro reflexo de tudo que se passa no Brasil?
It doesn't, and you can't, I won't, and it don't, it hasn't, it isn't, it even ain't, and it shouldn't, it couldn't.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Geração Coca Cola?
Eu estou na geração dos laptops, palmtops, Ipads, Ipods, smartphones, touchscreen pra cá, touchscreen pra lá.
Tenho vergonha dessa geração. É a geração dos folgados. Estamos cada vez chegando mais perto daqueles seres humanos do filme Wall-E. Aliás, esse filme é um tapa na cara da nossa geração que quase ninguém entendeu, porque não fez diferença em ninguém. Mas isso é característica dessa geração: um monte de críticas que todo mundo acha "genial" e não faz nada.
Cada um cria sua mini-revolução em blogs (cá estou eu!), Twitter, Facebook, correntes de e-mail, assinaturas on-line, e nada concreto.
Eu vejo coisas daquela época (não muito distante) que todo mundo ia pra rua pra gritar por alguma coisa, ou ia falar em público pra um monte de gente ouvir, ou ainda iam fazer bagunça perto de gente importante pra ver se fazia alguma diferença, e eu sinto muita inveja. Não sei se tinha muito efeito, talvez tivesse tanto efeito quanto as mini-revoluções internautas de agora, mas eu sei que precisava de muito mais coragem, precisava ter peito, dar a cara a tapa. Porque se algo desse errado você seria repreendido, espancado ou preso. Agora, na internet, se algo acontecer você vai simplesmente perder a sua conta em determinado site.
Eu queria muito sentir isso que essa geração anterior sentia, sentir essa vontade de lutar por alguma coisa, ter um ideal que parecesse realmente digno. Mas nada desperta essa sensação em mim. Nada.
Eu me revolto com muitas coisas, eu tenho vontade de corrigir muitos erros do mundo, mas acho que a gente estuda tantas pessoas que tentaram fazer algo e deram com a cara na parede, tantas revoluções que não deram em nada, tantos poderosos driblando os esforços de trazer paz ao mundo, que simplesmente não dá vontade.
Os poucos que tem vontade de fazer alguma coisa são ofuscados pelos muitos que estão realmente preocupados com o dinheiro, e nada mais.
Assim não dá.
Essa geração é Pepsi.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Toxicity
Tinha uma época que eu juntava minha mesada só pra comprar CD. Eu adorava e fazia questão de ter os meus CDs favoritos, originais.
Eu já conhecia System of a Down por causa do meu irmão. Lembro bem de andar pelas ruas de Botelhos e dele botar o CD pra tocar bem alto, a gente ficava tentando entender a letra da música juntos.
Aí um dia eu fui no supermercado e achei, dando sopa, o Toxicity. A capa daquele CD me arrepiava, achava lindo aquele letreiro hollywoodiano e aquela foto amarelada.
Aí eu comprei imediatamente. Voltei logo pra casa e fui ouvir.
Você já passou por isso? Colocar pra tocar um álbum que você já conhece inteiro, mas ficar lá só pra isso, tirar um pedaço dos eu dia só pra ouvi-lo inteiro novamente?
Eu fiz isso. Fiquei sentada no chão, na frente do aparelho de som do meu quarto, coloquei pra tocar no máximo, fechei a porta do quarto.
Sabe aquele impacto da primeira música, Prison Song? Impacto mesmo, ela bate no peito, vibra tudo em volta. Ela anuncia o álbum todo que está por vir.
Então, imagine isso ao vivo.
01 de outubro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Procurando o caderno
Eu não sei se isso foi distração ou um estado inconsciente de procrastinação, só sei que eu queria anotar uma receita.
Vim procurar a receita na internet e vi que estava sem o caderno de receitas.
Fui procurá-lo na cozinha e resolvi tirar as coisas da mesa e colocar na geladeira.
Voltei pra procurar no quarto e achei umas imagens que eu queria colocar na montagem que faço embaixo do vidro da minha mesa de trabalho.
Tentei organizar as coisas pra colocar as imagens na montagem, mas pensei que ia demorar muito.
Desisti e voltei a procurar o caderno.
Olhei pro jornal e lembrei que tinha tirinhas pra recortar.
Recortei tirinhas de dois dias do jornal e lembrei que eu precisava fazer outra coisa.
Não consegui lembrar imediatamente o que era, achei que fosse algo do estágio.
Sentei em frente ao laptop pra começar a fazer o que eu achava que tinha que fazer e lembrei o que era que eu realmente queria fazer.
Fui procurar o caderno de receitas no outro quarto.
Achei o caderno com uma caixa de baralho em cima.
O baralho estava bagunçado, resolvi conferir se tinha perdido alguma carta.
Sentei na cama e conferi o baralho todo.
Realmente estava faltando um rei de copas.
Comecei a pensar nessa mistura toda de distração e procrastinação que tinha acabado de acontecer e resolvi falar sobre isso aqui no blog.
Ainda não anotei a receita.
Vim procurar a receita na internet e vi que estava sem o caderno de receitas.
Fui procurá-lo na cozinha e resolvi tirar as coisas da mesa e colocar na geladeira.
Voltei pra procurar no quarto e achei umas imagens que eu queria colocar na montagem que faço embaixo do vidro da minha mesa de trabalho.
Tentei organizar as coisas pra colocar as imagens na montagem, mas pensei que ia demorar muito.
Desisti e voltei a procurar o caderno.
Olhei pro jornal e lembrei que tinha tirinhas pra recortar.
Recortei tirinhas de dois dias do jornal e lembrei que eu precisava fazer outra coisa.
Não consegui lembrar imediatamente o que era, achei que fosse algo do estágio.
Sentei em frente ao laptop pra começar a fazer o que eu achava que tinha que fazer e lembrei o que era que eu realmente queria fazer.
Fui procurar o caderno de receitas no outro quarto.
Achei o caderno com uma caixa de baralho em cima.
O baralho estava bagunçado, resolvi conferir se tinha perdido alguma carta.
Sentei na cama e conferi o baralho todo.
Realmente estava faltando um rei de copas.
Comecei a pensar nessa mistura toda de distração e procrastinação que tinha acabado de acontecer e resolvi falar sobre isso aqui no blog.
Ainda não anotei a receita.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Volta pra casa
- O que você viu enquanto voltava para casa?
- Como assim?
- O que você viu no caminho?
- Nada.
- Nada?
- É, nada.
- Impossível.
- Como assim? O que você quer saber?
- Você viu algum poste?
- Lógico.
- Quantos?
- Ah! Vou saber...
- Mas então você viu alguma coisa.
- Ué, vi.
- Então?
- Nada.
- Nada?
- Ué, nada! O que você quer?
- O que você viu?
- Vi três meninos batendo figurinha na porta do colégio; vi um restaurante que chamava “Nosso Lar”, me perguntei se o dono seria espírita; vi muita gente com roupa de ginástica na porta de uma academia; vi dois caras falando de um jogo de futebol; vi um carro de auto escola com a instrutora explicando algo sobre rotatórias para o aluno; vi um cara fazendo baliza; vi um cruzamento que tinha todas as esquinas chanfradas, pensei nas aulas de urbanismo; vi uma cadela no cio deitada no meio da rua com cinco outros cachorros em volta dela, e os carros desviando de todos eles; vi uma casa amarela que tem uma arquitetura bonita, diferente; passei por uma casa que tinha dois cachorros velhos, um pequeno e um grande, que não estavam mais lá, me perguntei se eles haviam morrido; passei por uma outra casa que tinha um Pit Bull vira-lata que abanava o rabo pra mim, mas ele não estava lá; e passei por outra que tem um Poodle preto que sempre late muito, mas ele estava dormindo; passei por uma mãe com uma criança levando o cachorro pra passear, o tênis da menina piscava e eu me perguntei o que será que o cachorro achava daquilo; passei por uma meleca amarela no chão que parecia mostarda velha; passei por um ferro-velho que tem uma placa de “Cuidado com o cão”, mas nunca tem cachorro nenhum lá; passei por uma moça perguntando pra vizinha se o controle que ela tinha achado mais cedo no quebra-molas era dela – não era; passei por um muro escrito “vende-se” e dois números de celulares embaixo, um começava com 88 e o outro com 91... mas, sei lá! Não reparo muito nessas coisas!
- Vi três meninos batendo figurinha na porta do colégio; vi um restaurante que chamava “Nosso Lar”, me perguntei se o dono seria espírita; vi muita gente com roupa de ginástica na porta de uma academia; vi dois caras falando de um jogo de futebol; vi um carro de auto escola com a instrutora explicando algo sobre rotatórias para o aluno; vi um cara fazendo baliza; vi um cruzamento que tinha todas as esquinas chanfradas, pensei nas aulas de urbanismo; vi uma cadela no cio deitada no meio da rua com cinco outros cachorros em volta dela, e os carros desviando de todos eles; vi uma casa amarela que tem uma arquitetura bonita, diferente; passei por uma casa que tinha dois cachorros velhos, um pequeno e um grande, que não estavam mais lá, me perguntei se eles haviam morrido; passei por uma outra casa que tinha um Pit Bull vira-lata que abanava o rabo pra mim, mas ele não estava lá; e passei por outra que tem um Poodle preto que sempre late muito, mas ele estava dormindo; passei por uma mãe com uma criança levando o cachorro pra passear, o tênis da menina piscava e eu me perguntei o que será que o cachorro achava daquilo; passei por uma meleca amarela no chão que parecia mostarda velha; passei por um ferro-velho que tem uma placa de “Cuidado com o cão”, mas nunca tem cachorro nenhum lá; passei por uma moça perguntando pra vizinha se o controle que ela tinha achado mais cedo no quebra-molas era dela – não era; passei por um muro escrito “vende-se” e dois números de celulares embaixo, um começava com 88 e o outro com 91... mas, sei lá! Não reparo muito nessas coisas!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Orgulho Hétero
Eu juro que às vezes sinto muita vergonha de ser tão Homo sapiens quanto qualquer hétero retardado.
Mais pra frente, nos livros de história, haverão registros dos dois maiores marcos de preconceito no mundo: o dia da criação do partido Nazista e o dia em que foi inventado o Orgulho Hétero.
Ei você, hétero retardado e orgulhoso disso, qual é o seu problema? Sério, qual é o seu problema? Você acha que é doença? Você tem nojo? Tem algum homossexual encostando em você? Você está sofrendo assédio? Você acha que é errado? Acha que não é de Deus? Acha que é contagioso? Te afeta em algum segundo da sua vidinha medíocre?
O orgulho gay só existe porque eles precisam de um dia pra respirar com alívio, sem a pressão de vocês.
Eles precisam de um dia pra ver que existe alguém do lado deles.
Eles precisam de um dia pra poder segurar na mão do companheiro sem temer nada.
Eles precisam de um dia pra agir com naturalidade.
Eles precisam de um dia pra falar o que pensam.
Eles precisam de um dia pra desabafar.
Eles precisam de um dia pra beijar na boca.
Eles precisam desse dia porque pra muitos deles é só esse dia que eles tem.
Vocês não sabem o que é ser julgado por amar outra pessoa.
Vocês não imaginam como é crescer num ambiente que te convence de que você tem algo errado.
Já ouvi muita gente dizer que tem pena de quem é homossexual, por causa dos problemas que vai enfrentar na vida. Pra mim, já começou aí o problema, com esse tipo de sentimento. Já está pré determinado que é algo, no mínimo, diferente. Por quê? É tão natural, é tão simples.
Você não vê problema nenhum em explicar pro seu filho o mito de um homem pregado numa cruz, com espinhos na testa e escorrendo sangue, mas acha o cúmulo ter que explicar pra ele porque dois homens estão de mãos dadas.
Sinceramente, enfie esse orgulho aonde você tem mais medo que te aconteça alguma coisa.
Tenha é vergonha de falar em voz alta sobre como a sua vida é fácil.
Esse post é dedicado com todo o meu ódio para todo e qualquer hétero homofóbico do planeta.
Mais pra frente, nos livros de história, haverão registros dos dois maiores marcos de preconceito no mundo: o dia da criação do partido Nazista e o dia em que foi inventado o Orgulho Hétero.
Ei você, hétero retardado e orgulhoso disso, qual é o seu problema? Sério, qual é o seu problema? Você acha que é doença? Você tem nojo? Tem algum homossexual encostando em você? Você está sofrendo assédio? Você acha que é errado? Acha que não é de Deus? Acha que é contagioso? Te afeta em algum segundo da sua vidinha medíocre?
O orgulho gay só existe porque eles precisam de um dia pra respirar com alívio, sem a pressão de vocês.
Eles precisam de um dia pra ver que existe alguém do lado deles.
Eles precisam de um dia pra poder segurar na mão do companheiro sem temer nada.
Eles precisam de um dia pra agir com naturalidade.
Eles precisam de um dia pra falar o que pensam.
Eles precisam de um dia pra desabafar.
Eles precisam de um dia pra beijar na boca.
Eles precisam desse dia porque pra muitos deles é só esse dia que eles tem.
Vocês não sabem o que é ser julgado por amar outra pessoa.
Vocês não imaginam como é crescer num ambiente que te convence de que você tem algo errado.
Já ouvi muita gente dizer que tem pena de quem é homossexual, por causa dos problemas que vai enfrentar na vida. Pra mim, já começou aí o problema, com esse tipo de sentimento. Já está pré determinado que é algo, no mínimo, diferente. Por quê? É tão natural, é tão simples.
Você não vê problema nenhum em explicar pro seu filho o mito de um homem pregado numa cruz, com espinhos na testa e escorrendo sangue, mas acha o cúmulo ter que explicar pra ele porque dois homens estão de mãos dadas.
Sinceramente, enfie esse orgulho aonde você tem mais medo que te aconteça alguma coisa.
Tenha é vergonha de falar em voz alta sobre como a sua vida é fácil.
Esse post é dedicado com todo o meu ódio para todo e qualquer hétero homofóbico do planeta.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
With love, from me, to you
Músicas me emocionam muito.
Mas eu sinto algo muito profundo quando ouço uma música que sei que foi dedicada a alguém. Eu não sei se é assim com todo mundo, se isso é muito óbvio, mas comigo não falha.
Música e poesia são coisas que ficam eternizadas. Dedicar a alguém é uma forma explícita e sincera de demonstrar afeto, amor ou ódio.
Até as músicas de ódio dedicadas a alguém acabam sendo mais interessantes. Pensar que aquele sentimento ruim todo está direcionado a alguém, ao que essa pessoa fez.
Só estou escrevendo isso pra poder indicar algumas músicas para os fantasmas que habitam o blog.
E espero que os fantasmas também me indiquem músicas desse tipo.
Por favor ouçam (e leiam com muita atenção a letra):
Here today - Paul McCartney (para John)
My love - Paul McCartney (para Linda)
Beautiful Boy - John Lennon (Para Sean)
Hey Jude - The Beatles (Para Julian)
Kim - Eminem (para Kim)
E tem muitas outras, mas só lembrei destas por agora. Eu to puro Beatles. E lembrei da do Eminem porque as músicas de ódio direcionado que conheço são dele.
Talvez eu goste tanto disso porque eu já tive uma poesia dedicada a mim. Do meu pai.
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