quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sobre as pessoas que conheci aqui.

Eu tive uma estratégia muito errada. Eu sou bem antissocial, sei disso, sou difícil pra fazer amigos, demorei muito tempo pra enturmar na minha universidade, e quando finalmente enturmei, vim pra cá, e agora não vou me formar com ninguém.
Mas, como eu ia dizendo, eu fiz escolhas muito erradas no começo, quando cheguei aqui, e isso não me fez bem agora, no final. Eu vim com a cabeça de que brasileiro é tosco até que se prove o contrário. E a tosca fui eu.
Eu tive a sorte de conhecer ainda no táxi, vindo do aeroporto pra casa, uma brasileira que me “provou o contrário” de cara. E nesse caso posso dizer que fiz uma amizade linda, pra vida toda. E por quê? Porque eu tive um ano todo pra cultivar isso, pra me apoiar e dar apoio, pra conversar e conhecer, pra criar um laço tão forte quanto família. Com uma pessoa. Uma.
Sim, eu conversava com todo mundo, é claro. Mas eu estava fechada, preconceituosa mesmo. Que erro!
Eu estava cercada de pessoas maravilhosas, de pessoas carinhosas, deliciosas de passar o tempo junto, e eu ignorei, só pra não falar que vim pra Inglaterra e fiz amigos brasileiros.
Enfim, o tempo passou e as pessoas foram se aproximando de mim, ou eu delas, não sei bem quem deu o primeiro passo, só sei que, pouco a pouco, fui conhecendo melhor as pessoas e fazendo amizades incríveis.
E agora tenho duas dores. Uma é a dor do arrependimento, por não ter me aproximado antes. É visível como as pessoas tem laços fortes entre si, laços que eu evitei e agora quero pra mim. E a outra dor é da saudade. Não a que eu carrego comigo desde que vim pra cá, essa tá aqui, muito bem alimentada e crescendo como um tornado. Mas a da saudade que eu sei que vou sentir. E aqui nem estou falando de Londres, estou falando das pessoas. Porque o Brasil é enorme. Aqui todo mundo mora a degraus de distância, mas lá... fiz amigos do sul ao norte. E no Brasil num tem trem delicioso e barato pra ir visitar. Vou voltar e vou acompanhar pelo Facebook as pessoas que já tive como irmãos.

Dedicado aos amigos daqui, tão queridos.

E me desculpem por julgá-los mal. Como eu disse, a tosca fui eu. Vocês são incríveis.

domingo, 16 de junho de 2013

Cachorro

Nasceu meio desnorteado, mas desde que adquiriu forças suficientes pra se virar sozinho só sabe fazer uma coisa: amar. Só sabe amar. Por amor ele aprendeu tudo que quiseram lhe ensinar, só pra receber os sorrisos e carinhos de volta. Por amor ele nunca guardou rancor daquele bronca que levou, ou do tapa na bunda, ou dos gritos. E esse amor é o que faz a memória dele nunca o deixar esquecer quem o amou de volta. Ele sabe quem o amou de volta, nem que for só um pouquinho, ele sabe. Ele reconhece todas as formas de amor. Ele é leal só por amor. Ele fica triste quando fica sozinho, mas ele espera por amor. E quando voltam, ele está cheio de amor pra dar.
Ele é puro amor.

Mas ele só aprende a amar se ele receber amor.

E eu amo.

Quanta saudade.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobrinho


Fiz esse versinho pra te contar
Que quando eu achava
Que já amava muito na vida
Você veio me mostrar
O quanto mais eu posso amar.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Abraço


Pra mim o abraço sempre significou mais que o beijo.
O abraço é um ato de carinho, intimidade. É um ato sincero.
Ninguém consegue abraçar de mentira, sem sentir algo.

É o único gesto capaz de matar a saudade, é o gesto mais sincero de concilliação, a forma mais bonita de conquista e a mais pura de amor.

Sorrio de lembrar que te abracei quando te conheci.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Today


Hoje? Hoje eu queria chegar em casa. Casa mesmo. Lar. Queria abraçar meus pais e meus irmãos, queria sentir o cheiro da minha casa, queria que todo mundo sentasse em volta da mesa e jogasse algo junto, e que depois a gente jantasse algo que minha mãe fez, e ainda que depois a gente ficasse conversando até, um a um, todos irem dormir. Eu queria ouvir, pela primeira vez ao vivo, o meu sobrinho rir, e queria abraçá-lo até ter certeza de que ele se lembra de mim. Eu queria ouvir a bagunça dos meus cachorros quando eu chego, um chorando e o outro latindo, queria eles pulando em mim, queria deitar no chão com eles.
Eu queria as brigas e as risadas, os abraços e os beijos.

Era tudo o que eu queria nesse minuto.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mind the gap

Quando eu vim pra cá, em 2009, passei 5 dias em Londres e usei o metrô todos esses dias. Em cada estação, a cada parada, "mind the gap". Foi marcante. Gostei da frase, me remetia a vários detalhes que gosto da Inglaterra. Pois bem, voltei pra cá em 2012 e fiquei triste por não ouvir mais a frase. No começo fiquei sem entender, achei que talvez eu não estivesse prestando atenção, ou não estivesse indo nas estações mais centrais. Demorou um pouco pra eu perceber porque eu não ouvia mais a frase clássica.
E não é que nesses anos o metrô daqui evoluiu? A frase não é mais falada porque não há mais "gap". Em algumas estações, as mais antigas, ainda se ouve a frase, mas na maior parte delas, não há mais nenhum vão considerável entre o trem e a plataforma, não há mais degrau, agora quase todo o metrô de Londres é acessível.
Eu fico cada vez mais orgulhosa dessa cidade.

terça-feira, 12 de março de 2013

My Dear London

Hoje eu e Londres fazemos aniversário de 6 meses.
Nos conhecemos em 2009 e nos apaixonamos, mas havia um oceano entre nós. E aí veio essa oportunidade de nos aproximarmos de novo, em 2012.
Nosso relacionamento começou delicioso e está indo muito bem, muito equilibrado. Sempre soubemos que não passaria de um ano e mantivemos isso em mente. Isso mantém o relacionamento estável. Assim nos amamos muito e profundamente no tempo que temos junto, e também nos suportamos em todos os momentos difíceis, porque sabemos que vai acabar logo.
E assim vamos levando.
No final vamos nos despedir ainda com muito amor uma pela outra e vai restar só a saudade gostosa do melhor tempo das nossas vidas.

Londres, só espero que esteja sendo tão bom pra você quanto está sendo pra mim.