quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sky

Sempre achei que olhar o céu é coisa de apaixonado.
Não sei explicar bem o porquê, mas acho que quem repara no céu está com o coração acelerado por alguém.
Talvez o amor seja um sentimento azulado, dos tons do céu.
Talvez a distância dos astros conforte a distância do amor.
Talvez o brilho das estrelas lembre o sorriso do outro. Ou o olhar.
Talvez a imensidão seja o único lugar onde cabe o amor de um apaixonado.
Talvez a lindeza do universo lembre a do dito cujo.
Não tenho certeza, mas sei que todo apaixonado olha pro céu e sorri. E viaja. E pensa.

Devo ser uma eterna apaixonada. Olho o céu todos os dias, admiro as estrelas todas as noites, curto os tons do fim da tarde e procuro a Lua em todas as fases.
Acho que sou apaixonada pelo céu.
Mas não nego que a Lua me lembra você.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Labirinto

O que será que ele está pensando?
O que será que ele está pensando que eu estou pensando?
Será que ele sabe que estou pensando no que ele deve estar pensando?

E assim o cérebro segue, infinitamente, nos guiando por um labirinto do medo de se comunicar. Basta perguntar, certo? Um pouco de sinceridade e honestidade.
Bote pra fora, pergunte como quiser, responda como quiser, aja como quiser. E pare de pensar no que os outros estão pensando! Não vê que é um labirinto? Que todo mundo faz isso? E que assim a tendência é ficarmos projetando, imaginando, alucinando, iludindo, por não sabermos o que todos estão pensando e por não falarmos o que estamos pensando!

Mas mesmo sabendo de tudo isso, eu não crio coragem para falar tudo o que penso e nem para perguntar o que você está pensando.
Mas de vez em quando eu arrisco.

E assim caminha a humanidade...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Tarantinando

Pensando num modo meio Quentin Tarantino: quando você deseja que um momento não acabe nunca, é quando você sabe que gosta da companhia de tal pessoa.

Está tudo tão agradável que, de repente, já é tarde, o tempo voou e você deve se despedir. E aí você se sente impotente e nenhum pouco dono da sua vida, pois tem de dar fim a um momento extremamente querido. E a vontade de largar mão de tudo, e conversar eternamente com um grupo seleto de pessoas, nasce, cresce, reproduz e morre. Num período tão curto de tempo que faz você se sentir idiota por não ter lutado mais por isso.

O sentimento nasce e você sente enorme alegria.
O sentimento cresce e te dá vontade de ter capacidade para fazer fotossíntese, para ser ininterrupto.
O sentimento reproduz e você posta um texto medíocre no seu blog.
O sentimento morre e você perde a certeza de que foi lindo, e se sente inseguro para repetir.

Pelo menos funciona assim comigo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Timidez

Estou procurando uma vantagem em ser tímida.
Até agora não encontrei, mas continuo procurando. Deve ter, não é possível!
Fuçando no meu pensamento consegui achar só podres na minha timidez. Muitas pessoas me falam que, por eu ficar muito quieta e séria, me acham chata e arrogante logo que me conhecem. Ainda bem que mudam de opinião depois. Quer dizer, espero que mudem.
E a dificuldade para comunicação? Se qualquer coisa me deixar meio sem graça eu já gaguejo e me perco nas frases. Fora aquelas situações que fazem todo mundo prestar atenção em mim, tipo responder/fazer uma pergunta na classe, apresentar algo, tropeçar, falar alto, usar algo chamativo. Nessas situações eu queria ficar invisível ou microscópica. O sentimento que roda pelo meu corpo é horrível, meu coração dispara, meu cérebro não raciocina e meu peito faz força para eu me implodir e sumir.

Sendo assim, a intimidade é algo a ser consquistado comigo, e não facilmente.
Mas depois de íntima, eu sou descontraída e relaxada. Até demais.

E mesmo que o mundo evolua, que o homem mude, que o cérebro desenvolva, que a paz reine ou que a guerra domine, o primeiro "oi" de um tímido é sempre muito difícil. E nada vai mudar isso.

Eleanor Rigby

"Ah, look at all the lonely people!
Eleanor Rigby picks up the rice in the church where a wedding has been, lives in a dream. Waits at the window, wearing the face that she keeps in a jar by the door. Who is it for?
All the lonely people, where do they all come from? All the lonely people, where do they all belong?
Father McKenzie, writing the words of a sermon that no one will hear, no one comes near. Look at him working, darning his socks in the night when there's nobody there. Why does he care?
Eleanor Rigby died in the church and was buried along with her name. Nobody came. Father McKenzie, wiping the dirt from his hands as he walks from the grave, no one was saved.
All the lonely people, where do they all come from? All the lonely people, where do they all belong?"


Eu nunca vi alguém contar uma história tão tocante com tão poucas palavras.
Vou fazer uma afirmação arriscada: talvez esta seja a minha beatlesong preferida.

Insônia

Noite de sábado. Madrugada de domingo.
Cá estou eu, em casa.
Quando estou desanimada, não to nem aí, posso ir dormir cedo, ou assistir TV. Mas quando estou empolgada, sem sono algum, com vontade de ficar acordada até (no mínimo) 5 da matina, aí voltar cedo para casa é dolorido.
Neste momento estou profundamente frustrada. É porque hoje foi um daqueles dias que eu fiquei planejando para dar certo o dia inteiro, porque eu tinha umas quinze coisas para fazer durante a noite e queria fazer tudoaomesmotempoagora. Por fim, uma das coisas deu certo, mas a noite é uma criança e eu já estou em casa.
Se, pelo menos, a noite estivesse gelada, chovendo, se as companhias fossem horríveis, se eu estivesse com fome e dor de cabeça, se estivesse doente e sem vontade de viver... mas não.

Bem, entre outras coisas, hoje estou confusa. Minha cabeça deu nó, meus pensamentos estão desordenados. Eu realmente não sei o que pensar, como agir, o que dizer...

Ando pensando demais. Muito. Muito mesmo. Bastante.

"I thought I knew you. What did I know?" [The Beatles]

terça-feira, 28 de julho de 2009

Conversa com Cachalote



Cachalote diz:
Eu sou um peixinho.
Luiza Poulain diz:
Você é?
Cachalote diz:
Sim.
Eu tinha uma dona.
Luiza Poulain diz:
Quem era ela?
Cachalote diz:
Não sei, eu só tinha.
Luiza Poulain diz:
E o que aconteceu?
Cachalote diz:
Ah, eu era triste.
Mas ela era feliz.
Ficava alegre quando eu nadava, e via meu pequeno brilho dourado.
Ela me deixou ir embora, o mais estranho, é que apesar de ser triste, não queria deixá-la.
Ela era tão alegre.
Luiza Poulain diz:
Então ela te fazia feliz.
Cachalote diz:
Eu só gostava de fazê-la feliz.
Luiza Poulain diz:
Se ela era feliz, por que te deixou ir embora?
Cachalote diz:
Acho que ela percebeu o quão eu era, err, bem...
Triste
O chato é que depois de me deixar ir embora, eu ainda continuo triste.
Luiza Poulain diz:
Talvez fosse melhor ter continuado com ela...
Cachalote diz:
Como ela saberia?